Relação de troca em 2026: o poder de compra do pecuarista no centro-oeste  

A relação de troca na pecuária em 2026 é o indicador que separa quem lucra de quem só fatura. Em dezembro de 2025, a margem média do confinamento no Centro-Oeste atingiu R$ 1.040 por cabeça. Os custos alimentares fecharam o ano 12% abaixo de 2024. A arroba se manteve firme acima de R$ 300. Custo baixo, arroba sustentada, margem gorda: a combinação que todo confinador busca. 

Mas essa margem não caiu do céu. Ela existiu porque a relação de troca entre a arroba do boi gordo e os insumos estava em um patamar favorável. E, em 2026, entender essa relação deixou de ser exercício acadêmico para virar ferramenta de decisão diária. 

Uma coisa é fato: o ciclo pecuário brasileiro está em fase de alta, com expectativa de valorização da arroba até 2027/2028. Exportações recordes e retenção de fêmeas sustentam o cenário.  

Entretanto, ao mesmo tempo, dólar volátil em ano eleitoral, fertilizantes pressionados e reposição com ágio de 41% lembram que lucro depende de gestão, não só de preço. Para quem quer entender a relação de troca pecuária 2026 e controlar o custo de produção do confinamento, as informações abaixo são fundamentais. Boa leitura!  

O que é relação de troca e por que ela importa mais que o preço da arroba 

A lógica é direta: quantas arrobas de boi gordo você precisa para comprar uma tonelada de insumo? A fórmula não tem segredo: preço do insumo (R$/t) dividido pelo preço da arroba (R$/@). 

Desse modo, se o milho custa R$ 1.000/t e a arroba está a R$ 300, você precisa de 3,3 arrobas para comprar esse milho. Se o milho sobe para R$ 1.200/t e a arroba permanece estável, você passa a precisar de 4,0 arrobas. Seu poder de compra caiu 21%, sem a arroba ter recuado um centavo. 

Esse é o ponto cego de quem olha só cotação. Em 2025, a arroba ficou entre R$ 290 e R$ 315 em São Paulo. Parecia estável. Mas a relação com fertilizantes piorou, o MAP se manteve acima da média de cinco anos, enquanto a relação com farelo de soja atingiu o melhor patamar histórico. O mesmo produtor estava perdendo poder de compra de um lado e ganhando do outro, e só quem monitorava os dois lados enxergou isso. 

Relação de troca boi gordo x milho: cenário favorável, com ressalvas 

O milho é o principal componente energético das dietas de confinamento, e 2025 trouxe alívio.  

Em abril, a relação de troca boi/milho melhorou 9% na média nacional, encerrando em 4,32 sacas por arroba, (Agrifatto). No Mato Grosso, com a arroba a R$ 326 e a saca próxima de R$ 83, a relação ficou confortável para quem precisava montar estoque. 

Para 2026, a Conab projeta safra de 354,8 milhões de toneladas de grãos. Se a projeção se confirmar, a disponibilidade de milho deve continuar elevada, sustentando a relação de troca em níveis favoráveis e aliviando o custo alimentar das dietas de confinamento.  

O ponto de atenção fica no frete: maior fluxo de exportação pode pressionar custos logísticos no Centro-Oeste, especialmente em praças distantes dos portos. Quem acompanha a relação de troca sabe que esse é o momento de avaliar contratos a termo e estoque estratégico. 

Relação de troca boi gordo x farelo de soja: o melhor momento histórico? 

Se o milho está bom, o farelo de soja está excepcional. Em abril de 2025, a relação atingiu 5,63 arrobas por tonelada de farelo, o melhor patamar histórico registrado em todos os estados monitorados pela Agrifatto. Para comparação: em setembro de 2024, eram necessárias 8,56 arrobas para a mesma tonelada. No Mato Grosso, em março de 2022, eram 8,90. A queda em três anos foi de quase um terço. 

Os fatores são estruturais: boa oferta das safras brasileira e argentina, bom desenvolvimento das lavouras nos EUA para 2025/26 e demanda interna que absorveu sem grandes solavancos. Com a arroba sustentada pela retenção de fêmeas e exportações firmes, o pecuarista encontrou a combinação rara de insumo proteico barato e produto final valorizado. 

O risco existe: problemas climáticos na safra 2025/26 ou aumento de demanda por biodiesel podem reverter os preços do farelo rapidamente. Monitorar a relação mensalmente continua sendo a melhor forma de identificar o momento de travar compras. 

O lado que aperta: fertilizantes e reposição 

Como mencionamos acima, nem tudo está favorável. A relação de troca com fertilizantes seguiu pressionando as margens em 2025 e o cenário não deve mudar radicalmente em 2026.  

O MAP (fertilizante) permanece acima da média dos últimos cinco anos. A ureia segue volátil. A exceção é o cloreto de potássio (KCl), que opera na parte inferior do intervalo histórico e oferece a melhor janela de compra do pacote de fertilizantes. 

Na reposição, a pressão é evidente. Bezerro e boi magro valorizaram forte ao longo de 2025, impulsionados pelo otimismo com o ciclo de alta. O ágio chegou a 41,5% em algumas praças, derrubando a relação de troca para 2,1 bezerros, um dos menores patamares recentes. 

O câmbio também adiciona incerteza. Em ano eleitoral, a volatilidade do dólar tende a se acentuar, encarecendo fertilizantes, medicamentos e qualquer insumo com componente importado. Portanto, quem olha só a relação de troca com grãos e ignora fertilizantes e reposição pode tomar decisões enviesadas. 

Como o custo alimentar impacta a relação de troca e como monitorar com o ICAP 

A relação de troca mostra o preço relativo entre arroba e insumo, mas é o custo real da dieta que define a margem e aqui entra o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP). 

Em 2025, o ICAP registrou queda em todas as regiões, com os custos alimentares ficando 12,01% menores no Centro-Oeste que em 2024. 

Em dezembro, o custo médio de alimentação fechou em R$ 12,69 por cabeça ao dia no Centro-Oeste e R$ 11,74 no Sudeste, enquanto a dieta de terminação encerrou o ano a R$ 1.092 por tonelada de matéria seca: nível que permitiu margens acima de R$ 120 por arroba produzida. 

Em janeiro de 2026, o ICAP no Centro-Oeste recuou para R$ 12,58 (queda de 0,87%), enquanto no Sudeste subiu 4,85%, um ajuste natural após atingir a mínima histórica no mês anterior. 

O que o ICAP revela é o que a relação de troca isolada não mostra: composição da dieta, impacto regional e tendência mensal. Relação de troca é preço relativo; ICAP é custo real. Juntos, formam visão completa. O Boletim ICAP publica essa análise mensalmente, com base em mais de 1,7 milhão de diárias de animais confinados. 

Leia tambémICAP: O que é Custo Alimentar e como impacta seu confinamento 

De dados para decisão: o papel da gestão por indicadores 

Saber que a relação de troca está favorável não resolve o problema se você não consegue agir sobre essa informação no dia a dia. Sem uma ferramenta de gestão, os dados ficam em planilhas dispersas tornando essa análise tão necessária mais complexa de ser realizada.  

Um painel de BI aplicado ao confinamento consolida indicadores zootécnicos, financeiros e operacionais em tempo real: custo da arroba produzida, margem por lote, eficiência de trato, GMD.  

De modo que quando o Ponta Intelligence está integrado ao TGC e ao ICAP, o produtor compara seus custos de dieta com o mercado, monitora a margem por lote e identifica quando a relação de troca muda: antes que a margem desapareça. 

Assim, quem operou com essa visão em 2025 identificou o momento de montar estoque quando o farelo despencou, travou compras de milho na janela favorável e fechou o ano acima de R$ 1.000 de margem por cabeça. 

2026 é o ano da gestão além do preço  

O cenário está posto: relação de troca com grãos favorável, com fertilizantes e reposição apertada, ciclo de alta na arroba com riscos cambiais no horizonte.  

O custo alimentar segue como principal componente do custo de produção no confinamento em 2026, e monitorar sua evolução não é opcional. 

Em ciclo de alta, o risco não é preço cair, é custo subir sem você perceber. A relação de troca é o termômetro. O ICAP é o diagnóstico e o  Ponta Intelligence é o painel de controle. Juntos, transformam informação de ponta em resultado. 

O pecuarista que terminar 2026 com a melhor margem não será o que comprou mais barato ou vendeu mais caro. Será o que monitorou melhor. 

Entre em contato com a Ponta e saiba como transformar dados em decisão, decisão em estratégia e estratégia em margem. 

CONTATO PONTA

Fontes consultadas:  

CNN Brasil — Lucro do confinamento dispara em 2025 e avança até 83% no Centro-Oeste 

Ponta Agro — Custo de confinamento registrou queda em todas as regiões em 2025 

Portal DBO — Confinamento: custo da alimentação animal na região Sudeste sobe 4,85% em jan/26 

Portal DBO / Agrifatto — Alívio no cocho: menor custo com farelo de soja e milho favorece a relação de troca 

Portal DBO / Agrifatto — Relação de troca farelo/boi é favorável ao pecuarista (set/24) 

Notícias Agrícolas / Itaú BBA — Relação de troca com fertilizantes continua apertando as margens da pecuária em 2025 

Pasto Extraordinário / Scot Consultoria — Fase de alta na pecuária deve favorecer relação de troca 

Cepea/Esalq — Boi gordo fecha 2025 com exportações recordes, mas entra em 2026 sob cautela 

Agrolink / Scot Consultoria — MT: relação de troca entre boi gordo, milho e farelo de soja (mar/22) 

ICAP — Ponta Agro — Índice de Custo Alimentar Ponta (landing page) 

Ponta Agro Blog — ICAP: O que é Custo Alimentar e como impacta seu confinamento 

Portal DBO — Confinamento: Índice de Custo Alimentar Ponta sobe em julho/25 

]