Como o PNAT funciona: da chegada dos touros ao relatório final
Toda safra, dezenas de touros zebuínos chegam à Fazenda Escola da FAZU, em Uberaba, para um dos protocolos mais rigorosos de avaliação genética da pecuária brasileira. Vindos de criatórios de diferentes regiões do país, esses animais passam por meses de observação contínua até que seja possível dizer, com base em dados, quais deles convertem alimento em peso de forma eficiente.
É no Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens, o PNAT, conduzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) na FAZU, que essa pergunta encontra resposta. Por trás da coordenação técnica está a equipe da própria FAZU. A médica veterinária Paloma Coutinho, responsável pela prova, acompanha cada etapa do ciclo, da chegada dos animais ao encerramento da avaliação.
Aqui, você vai entender o que é o PNAT, como o Intergado Efficiency conduz o monitoramento contínuo dos animais e o que essa prova entrega ao programa de melhoramento de cada criador.
O que é o PNAT e por que ele acontece na FAZU
O PNAT é um programa coordenado pela ABCZ que avalia touros jovens zebuínos com idade entre 18 e 30 meses. Em sua edição atual, reúne reprodutores das raças Nelore, Nelore Mocho e Tabapuã para passar por um protocolo padronizado de avaliação, da composição corporal ao consumo alimentar individual.
A escolha da FAZU como sede do Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar (TDEA) não é por acaso. A instituição reúne corpo técnico especializado, estrutura zootécnica e histórico consolidado de pesquisa em provas de Eficiência Alimentar.
Além disso, a parceria entre ABCZ e FAZU garante a continuidade metodológica entre edições, aspecto fundamental para a comparabilidade dos resultados ao longo das safras.
Como é o período de adaptação dos animais
Antes que qualquer dado de consumo seja coletado para fins de avaliação, os animais passam por cerca de 15 dias de adaptação.
Como explica Paloma, esse intervalo é dedicado ao nivelamento dos touros em relação ao ambiente, à dieta e à rotina do teste. Cada animal passa por vermifugação, manejo vacinal e adequação nutricional. A dieta inicial é ajustada para preparar o sistema digestivo do touro para a composição que será oferecida durante a prova.
Um dos pontos menos visíveis dessa etapa, mas determinantes para a confiabilidade do teste, é o treinamento dos animais no uso do cocho hídrico. O bebedouro fica sobre uma balança, o que altera a sensação do touro ao se aproximar da água. A equipe de estagiários e veterinários acompanha esse processo, estimulando os animais a se acostumarem com o equipamento. Sem esse aprendizado, parte deles simplesmente deixaria de beber adequadamente nos primeiros dias.
O período de adaptação na prova de Eficiência Alimentar tem cerca de 15 dias e antecede a fase de coleta oficial. Sua função é uniformizar as condições de manejo, sanidade e alimentação, garantindo que os dados subsequentes reflitam o desempenho real de cada animal.
Como o Intergado Efficiency mede o consumo individual?
O Intergado Efficiency reúne software e hardware para realização de provas de Eficiência Alimentar e é responsável por toda a coleta automatizada de dados na prova. O conjunto reúne cochos de alimentação, cochos de água com balança integrada e leitores de microchip.
Cada animal recebe um brinco eletrônico, e cada vez que se aproxima de um cocho do Intergado Efficiency o sistema identifica de qual touro se trata e registra a quantidade de alimento ou água ingerida, o tempo de permanência e o peso corporal naquele momento.
A medição é contínua, vinte e quatro horas por dia, sem que o animal precise ser conduzido a um curral ou contido para pesagem. Da mesma forma, eventuais sobras de alimento são retiradas e contabilizadas a cada novo trato, o que garante precisão no cálculo do consumo efetivo.
Ou seja, mesmo em um lote com dezenas de touros, é possível registrar o histórico individual de cada um, dia após dia.
A veterinária resume o valor desse monitoramento: o sistema monitora o consumo diário de cada animal e identifica qualquer alteração no comportamento de ingestão de alimento e água, sinal que pode indicar problema de saúde, dificuldade de adaptação ou disputa de dominância e acionar a intervenção da equipe responsável pela prova.
Veja o depoimento na íntegra:
Qual a relação entre Eficiência Alimentar e sanidade?
Eficiência Alimentar não se sustenta isolada. Um animal que apresenta consumo adequado, mas carrega problemas reprodutivos, sanitários ou de bem-estar, não cumpre o papel de reprodutor superior.
O monitoramento contínuo do Intergado Efficiency identifica qualquer alteração no comportamento de ingestão de alimento e água, sinal que pode indicar problema de saúde, dificuldade de adaptação ou disputa de dominância. Esse dado aciona a intervenção da equipe veterinária antes que o problema comprometa o desempenho do animal na prova.
Por isso, o registro automatizado do consumo individual caminha junto com avaliações andrológicas, exames sanitários e observação clínica, todos conduzidos pela equipe veterinária da FAZU.
Leia também: Prova de Eficiência Alimentar: realizar intrarrebanho ou participar de provas coletivas em Centrais de Avaliação?
Como o índice iPNAT é composto?
O índice iPNAT é composto por: 35% iCAR (índice de Consumo Alimentar Residual), 30% iGPD (índice de ganho de peso diário), 15% iAOL (índice de área de olho de lombo), 5% iAcabamento e 15% iAV (índice de avaliação visual).
A composição do índice reflete uma escolha metodológica clara: dar peso significativo à Eficiência Alimentar (via CAR) e ao ganho de peso, sem desconsiderar atributos de carcaça e morfologia. Da mesma forma, a presença da avaliação visual reconhece que dados objetivos e leitura técnica do animal precisam caminhar juntos.
Como o criador se beneficia por enviar animais ao PNAT?
Para o criador que envia animais ao PNAT, o retorno vai além da classificação. Os dados individuais permitem entender o desempenho de cada touro em condições padronizadas. A partir disso, é possível direcionar acasalamentos, decidir quais reprodutores manter como matrizeiros e identificar linhagens com maior potencial de transmissão de Eficiência Alimentar à progênie.
Vale destacar que os animais que participam do PNAT se qualificam para participar do Leilão do PNAT que acontece na Expogenética.
Qual a diferença entre monitoramento individual e por lote?
Acompanhar consumo por lote informa apenas a média do grupo. Já o monitoramento individual revela, dentro do mesmo lote, animais que consomem mais do que o esperado para ganhar o mesmo peso e animais que consomem menos. Há ainda a possibilidade de combinar provas centrais (como o PNAT) e provas intrarrebanho dentro de uma estratégia consistente de melhoramento genético.
O que a experiência da Paloma ensina sobre conduzir provas
Com oito anos conduzindo provas de Eficiência Alimentar, a Paloma sintetiza o que aprendeu em uma única frase: sem Eficiência Alimentar, não existe resultado consistente.
Por trás dessa síntese, três aprendizados se repetem safra após safra:
- O rigor no manejo sanitário e nutricional na entrada determina a qualidade dos dados na saída.
- O bem-estar animal, do treinamento no cocho hídrico, cocho de alimentação ao monitoramento clínico, é condição para que o consumo medido seja real.
- O equipamento especializado, aliado ao olhar técnico de quem está em campo, é o que diferencia uma prova bem conduzida de uma simples coleta de números.
Para fechar
A parceria entre FAZU, ABCZ e Intergado Efficiency mostra o que a pecuária de precisão entrega ao melhoramento genético brasileiro: dados individuais confiáveis, gerados em escala, transformados em decisões de seleção.
Para nós da Ponta, que conectamos pesquisa, genética, produção e mercado para transformar a pecuária através de inteligência de gestão e precisão, sustentar protocolos como o do PNAT é parte do compromisso de levar a Eficiência Alimentar do campo de pesquisa para o programa de melhoramento de cada criador.
Conheça o Intergado Efficiency e veja como a tecnologia aplicada no PNAT pode ser usada para conduzir provas de Eficiência Alimentar em programas de melhoramento genético.

