Ponto ótimo de abate: como identificar o momento exato em que o boi deixa de dar lucro 

Na pecuária intensiva, o ponto ótimo de abate não é uma data no calendário, é uma decisão econômica. Chega um momento em que o animal continua ganhando peso, mas a margem por cabeça começa a cair. O custo para manter o boi mais um dia fica maior do que o retorno que ele gera. 

O problema é que, sem dados precisos, essa decisão acaba sendo tomada no olho, pela média do lote ou pela “sensação de carcaça”. O resultado você conhece: dias extras no cocho comendo seu dinheiro, conversão alimentar piorando e boi saindo pesado, mas sem lucro. 

O que é ponto ótimo de abate na prática 

O ponto ótimo de abate é aquele momento em que o que você ganha mantendo o animal mais um dia no sistema é igual ao que você gasta para mantê-lo. Depois disso, cada dia adicional tira margem. 

Para acertar esse cálculo, você precisa saber três coisas: 

  • Quanto o boi ainda vai ganhar de peso (GMD projetado por fase) 
  • Quanto custa manter ele mais um dia (cocho, operação, sanidade, capital) 
  • Quanto esse peso vira em dinheiro na carcaça (rendimento, tipificação, bonificações) 

Por que acertar o ponto ótimo aumenta sua margem 

Conforme o boi avança na terminação, a eficiência biológica dele cai. O ganho diário diminui, ele come mais para ganhar menos e a conversão alimentar piora. Se você não identifica o ponto ótimo, acaba enfrentando: 

  • Queda do GMD na reta final 
  • Animal comendo mais sem resposta em ganho 
  • Conversão alimentar ruim, encarecendo cada kg produzido 
  • Mais risco de refugo e problemas de manejo 

Quando o ganho diário cai e o custo continua subindo, o ponto ótimo já passou. Não é sobre ter o boi mais pesado. É sobre ter o boi que te deu a melhor margem possível. 

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As métricas que você precisa acompanhar 

1) Receita incremental diária 

Quanto o animal gera de receita adicional se ficar mais um dia no sistema. 

Fórmula: 

Receita incremental (R$/dia) = GPD × Rendimento de carcaça × Preço líquido/kg 

Onde: 

  • GPD: ganho de peso diário (kg/dia) 
  • Rendimento de carcaça: geralmente entre 53% e 56% 
  • Preço líquido: preço da arroba menos descontos, mais bonificações 

2) Custo incremental diário 

O custo total para manter o boi mais um dia: 

  • Custo da dieta: ingestão de matéria seca × custo por kg 
  • Operação: trato, diesel, manutenção, pessoal 
  • Sanidade: medicamentos e manejo sanitário 
  • Custos fixos rateados: depreciação das instalações 
  • Custo do dinheiro: juros sobre o capital investido no animal 
  • Custo de oportunidade: o que você deixa de ganhar segurando aquele animal 

3) Margem incremental diária 

Margem incremental = Receita incremental − Custo incremental 

O ponto ótimo acontece quando essa margem chega perto de zero. Antes disso, ela é positiva e vale a pena segurar o boi. Depois, ela fica negativa e você começa a perder dinheiro todo dia que segura. 

O erro que mais destrói margem 

Calcular o ponto ótimo pela média do lote faz você pagar caro pela desuniformidade. Em qualquer lote você tem três grupos: 

  • Os prontos: já passaram do ponto ótimo e estão comendo seu lucro 
  • Os quase prontos: estão chegando no ponto ideal 
  • Os atrasados: ainda precisam de tempo no cocho 

Se você decidir pela média, vai abater cedo quem ainda estava rendendo ou vai segurar quem já parou de dar retorno. O ideal é trabalhar por grupo. Quanto mais dados você tiver, mais perto você chega de decidir por animal individual. 

Como calcular o ponto ótimo de abate em 5 passos 

Passo 1: Monte a curva de desempenho do seu lote: use o histórico e projete o GMD e a IMS por fase (adaptação, crescimento, acabamento). Uma projeção a cada 14 dias já dá boa precisão. 

Passo 2: Calcule o custo real de cada dia. Consolide tudo: dieta, operação, sanidade, capital. Se o custo diário está “na cabeça”, você não tem como acertar o ponto ótimo. 

Passo 3: Transforme peso vivo em carcaça vendável: use seu rendimento histórico por categoria. Ajuste conforme clima, jejum e frigorífico. 

Passo 4: Trabalhe com cenários de preço. Monte pelo menos três cenários: conservador, base e otimista.  

Passo 5: Encontre o ponto de virada: faça uma tabela simples projetando os próximos períodos. O ponto ótimo é quando a margem passa de positiva para negativa. O segredo é programar o abate antes de entrar no vermelho. 

O que mexe com o ponto ótimo 

Preço do boi gordo:  Preço muda, ponto ótimo muda junto. Recalcule conforme o mercado se move. Não dá para decidir baseado em preço de semana passada. 

Custo e eficiência da dieta:  Erros na mistura ou variação na matéria seca pioram a conversão e antecipam o ponto ótimo. O animal come mais, ganha menos e o custo dispara. 

Desuniformidade do lote: Lote desuniforme dificulta tudo. Apartação frequente permite trabalhar o ponto ótimo por grupo, o que melhora muito a margem. 

Checklist para não deixar dinheiro na mesa 

✓ Custo da dieta atualizado e matéria seca controlada  

✓ Pesagens frequentes e bem registradas  

✓ GMD e conversão acompanhados por curral  

✓ Critério claro de apartação aplicado na rotina  

✓ Rendimento e tipificação analisados após cada abate  

✓ Preço estimado por cenário antes de decidir  

✓ Decisão baseada em margem, não em peso 

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Como a tecnologia resolve esse problema 

Assim como você pode notar, o ponto ótimo de abate mexe direto na sua margem. Em um mercado apertado e com custos que variam toda semana, quem identifica o ponto certo com dados captura mais lucro por ciclo, elimina dias improdutivos e mantém o caixa saudável. 

O problema está na execução. Sem uma tecnologia que colete e analise dados diários e que faça todos os cálculos de ponto ótimo mostrando na tela o momento ideal de animal e lote, fica muito demorado e trabalhoso adotar essa estratégia. Com o Intergado Beef, você elimina esse problema. Veja mais a seguir!   

Intergado Beef: pesagem voluntária que mostra quando cada boi está pronto 

Intergado Beef monitora o desempenho real de cada animal todos os dias. Com dados contínuos e individualizados, o sistema avisa quando cada boi chegou no ponto ótimo econômico. 

O que muda na prática: 

  • Pesagem automática todo dia: o boi pesa voluntariamente, sem estresse de manejo, e você tem a curva de cada animal 
  • Detecta quando o ganho estabiliza: quando o peso para de crescer como antes, é sinal de que o ponto ótimo está chegando 
  • Mostra quem responde bem à dieta: você vê qual boi está convertendo e qual está perdendo performance 
  • Aumenta o lucro com apartação certeira: estudos mostram que essa estratégia pode aumentar a lucratividade em até 30% 

Desse modo, com o Intergado Beef, você para de decidir pela média e passa a trabalhar com ponto ótimo por animal. Isso significa menos dias jogados fora, escala de abate mais previsível, mais margem por ciclo e menos risco de mercado. 

Quer saber mais sobre a balança de pesagem voluntária? Veja o vídeo abaixo!  

Como funciona a balança voluntária da linha Intergado? 

Concluindo o assunto 

Acertar o ponto ótimo de abate é o que separa quem captura toda a margem possível de quem deixa dinheiro na mesa, uma vez que a pecuária de resultado não combina mais com decisão baseada em impressão e média de lote. 

Portanto, profissionalize sua gestão com dados diários de cada animal, calcule o ponto ótimo com precisão e opere com controle, previsibilidade e margem em todos os ciclos. 

Conheça o Intergado Beef e transforme o ponto ótimo de abate em vantagem competitiva real no seu confinamento.  

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