Gestão pecuária data-driven: como dados aumentam o valuation 

Gestão pecuária já não é apenas sobre produzir bem. É sobre provar, com dados, que a operação gera resultado. E o mercado está cobrando essa prova. O número de fusões e aquisições no segmento de agropecuária brasileiro saltou de 3 para 12 operações entre 2024 e 2025, segundo levantamento da PwC Brasil. Fundos de investimento, grupos econômicos e players internacionais estão olhando para o campo com apetite, mas com um critério cada vez mais rígido na hora de abrir a carteira. 

O que mudou? O valuation de uma fazenda já não se resume a hectares, cabeças e benfeitorias. Quem compra, investe ou financia quer ver algo além do patrimônio físico: quer ver gestão pecuária comprovada com dados. Histórico de desempenho, rastreabilidade de custos, margem por arroba documentada. Em outras palavras, quer ver uma operação que funciona como empresa e que consegue provar isso com números. 

É nesse contexto que a gestão pecuária orientada por dados ganha relevância prática. Não mais como conceito, mas como diferencial que impacta diretamente o valor percebido da operação. E o elo que fecha esse ciclo, conectando o dado do campo ao balanço contábil, é exatamente o que mais falta na maioria das fazendas hoje. Continue lendo para entender mais!  

O que significa gestão pecuária orientada por dados na prática 

A gestão pecuária data-driven não é sinônimo de “ter um software”. É ter um fluxo contínuo de dados conectados entre as etapas da produção, de forma que cada decisão possa ser tomada com base em informação real, não em estimativa. 

Na prática, o fluxo funciona assim: o animal entra na fazenda com custo de aquisição registrado. No pasto ou no confinamento, o consumo de ração, o ganho de peso e os custos de nutrição são acompanhados por lote ou individualmente. Na saída, o resultado financeiro por arroba, por lote e por ciclo está disponível e, mais importante, é auditável

O problema é que a maioria das operações ainda trabalha com dados isolados. A parte zootécnica fica num sistema, o financeiro numa planilha, e a contabilidade num escritório que recebe informações semanas depois. O dado existe, mas não conversa. E dado que não conversa é informação parada. Quando a gestão pecuária opera com dados integrados, do pasto ao cocho e do cocho ao resultado financeiro, o pecuarista deixa de reagir e passa a antecipar e é isso que muda o jogo. 

Por que a gestão pecuária com dados integrados impacta o valuation 

Valuation, no contexto pecuário, é a avaliação de quanto vale a operação como negócio, não apenas como patrimônio. Uma fazenda com 5 mil hectares e 8 mil cabeças tem um valor de ativo. Mas uma fazenda com os mesmos números, que comprova custo de produção por arroba, margem líquida dos últimos ciclos e eficiência operacional documentada, tem um valor de negócio significativamente maior. 

Três fatores sustentam essa diferença: 

O primeiro é a previsibilidade de resultado. Quando a gestão pecuária mantém histórico integrado de desempenho zootécnico e financeiro, é possível projetar margens com confiança. Um comprador ou investidor consegue modelar cenários a partir de dados reais, não de projeções otimistas sem lastro. Isso reduz o risco percebido e, consequentemente, aumenta o valor atribuído ao negócio. 

O segundo fator é a rastreabilidade de custos. Saber exatamente quanto custou produzir cada arroba, decompondo o custo em aquisição do animal, nutrição, sanidade, mão de obra e outros insumos, é o que diferencia uma operação profissional de uma operação que “acha” que deu lucro. Essa granularidade permite identificar gargalos, otimizar processos e, sobretudo, apresentar resultados com credibilidade para terceiros. 

O terceiro é a governança e transparência. Em processos de M&A (fusões e aquisições), captação de crédito rural ou atração de investidores, a operação que apresenta dados organizados, auditáveis e consistentes ganha credibilidade imediata. Não se trata de sofisticação tecnológica pela tecnologia em si, mas de demonstrar que a gestão pecuária opera com a seriedade e o controle que o capital exige. 

Para colocar em perspectiva: uma fazenda que apresenta a um banco ou fundo de investimento o custo de produção por arroba e a margem líquida dos últimos três anos, organizados e auditáveis, tem poder de negociação muito superior à que entrega apenas um balanço patrimonial genérico. 

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O elo que faltava na gestão pecuária: a Integração Contábil 

Muitas fazendas avançaram bastante na gestão zootécnica. Controlam peso, ganho de peso diário, conversão alimentar, protocolos sanitários. Mas quando o assunto é conectar esses dados à realidade financeira e contábil da operação, o fluxo trava. 

O cenário é comum: o gerente de fazenda tem os números de desempenho animal atualizados. O financeiro tem o fluxo de caixa em uma planilha. E o escritório de contabilidade recebe um pacote de notas fiscais no fim do mês para tentar montar o quebra-cabeça. O resultado? Relatórios contábeis que chegam defasados, custos de produção calculados por aproximação e decisões de venda ou retenção baseadas mais em intuição do que em margem real. 

Esse gap entre a operação no campo e a contabilidade não é um detalhe. É o buraco por onde escoa a capacidade de comprovar resultado. E é exatamente esse buraco que a Integração Contábil se propõe a fechar. 

A solução conecta os dados operacionais do Ecossistema GA e do TGC (movimentações de animais, custos de nutrição, gestão de estoque de insumos, entrada e saída de lotes) diretamente à estrutura contábil da fazenda, integrando com os principais ERPs do mercado. 

Na prática, isso significa que cada movimentação registrada no campo gera reflexo contábil automático. A entrada de um lote de animais já carrega a decomposição de custos (animal, frete, comissão). O consumo de ração apurado pelo sistema de gestão alimenta o custo médio de insumos na contabilidade, enquanto o fechamento mensal consolida dados zootécnicos e financeiros no mesmo fluxo, com controle do ativo biológico e suas transformações ao longo do processo produtivo, da originação à comercialização. 

O resultado é que o pecuarista passa a enxergar o resultado financeiro real da operação em tempo adequado, não meses depois. E mais: enxerga com a segurança de dados auditáveis, com registro histórico e sem possibilidade de exclusão. 

O que muda na rotina com uma gestão pecuária integrada 

A diferença entre operar com e sem integração contábil aparece em situações concretas do dia a dia. 

Sem integração, o fechamento mensal é um exercício de conciliação manual. O gestor precisa cruzar informações de sistemas diferentes, lidar com divergências entre o que foi registrado no campo e o que chegou ao financeiro, e esperar o escritório contábil processar tudo para ter uma foto, já defasada, do resultado. E, na hora de vender um lote, o cálculo de margem é feito no “sentimento”, porque o custo real de produção daquela arroba não está disponível em tempo hábil. 

Com a integração, o fluxo muda. O peso do animal, o custo da dieta, a movimentação do lote e o impacto financeiro de cada operação estão na mesma solução. O fechamento mensal deixa de ser um trabalho braçal e vira uma consolidação automatizada e assim, a decisão de vender ou segurar um lote passa a considerar a margem real, atualizada, daquele lote. 

Para o pecuarista-gestor que administra a fazenda no dia a dia, o ganho é em velocidade e segurança na tomada de decisão. Para o CFO ou controller de um grupo pecuário com múltiplas unidades, o ganho é em consolidação: dados de todas as fazendas no mesmo padrão, no mesmo sistema, com a mesma confiabilidade. E para quem está buscando crédito, negociando com investidores ou em processo de due diligence (análise de avaliação de risco), o ganho é em apresentação profissional de resultados, com números que resistem a uma auditoria. 

Gestão pecuária como ativo estratégico de longo prazo 

A tendência é clara: à medida que a pecuária brasileira atrai mais capital (e os dados de M&A no agro confirmam esse movimento), a maturidade da gestão pecuária vai se tornar critério de seleção, não diferencial. 

No agro de grãos, a gestão orientada por dados já é padrão há anos. Agricultura de precisão, mapeamento de produtividade, integração com ERPs. Tudo isso faz parte da rotina de operações competitivas.  

Por outro lado, a pecuária está no meio dessa transição. As operações que já estruturam seus dados de ponta a ponta, incluindo a camada contábil, estão construindo um ativo que se valoriza no tempo: o histórico de gestão. 

Um histórico de cinco anos de dados integrados, mostrando evolução de indicadores zootécnicos, financeiros e de eficiência operacional, conta uma história que nenhuma apresentação de PowerPoint consegue substituir, por exemplo. É a prova concreta de que a operação funciona, melhora e gera resultado previsível. 

Começar a estruturar esse fluxo agora não é custo. É investimento no valuation futuro da fazenda. 

O próximo passo é conectar a gestão pecuária de ponta a ponta 

O mercado já está precificando a diferença entre fazendas que praticam gestão pecuária com dados e fazendas que operam no escuro. Não é uma tendência para daqui a cinco anos. É o que já está acontecendo nas mesas de negociação de M&A, nas análises de crédito dos bancos e nas due diligences de fundos que olham para a pecuária brasileira. 

valuation de uma fazenda depende cada vez menos do tamanho do rebanho e cada vez mais da capacidade de comprovar, com números reais, que a operação é eficiente, previsível e bem gerida. E essa comprovação só existe quando o dado nasce no campo, percorre toda a cadeia produtiva e chega à contabilidade de forma íntegra, sem gaps e sem retrabalho. 

É exatamente isso que a Integração Contábil da Ponta entrega: a conexão entre a gestão produtiva e o balanço financeiro, transformando cada movimentação no curral em informação contábil confiável. Para o pecuarista que quer tomar decisões melhores hoje e construir um ativo mais valorizado amanhã, o caminho começa por integrar as pontas, do pasto ao cocho, do cocho ao resultado. 

Conheça a Integração Contábil da Ponta e descubra como conectar sua operação do campo ao balanço.  

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