Genética e emissão de metano: como animais mais eficientes ajudam a pecuária a produzir mais e poluir menos
A pecuária brasileira chega às grandes conferências do clima com uma história de eficiência e inovação para contar. Cada vez mais, o setor mostra que é possível produzir mais alimento usando ciência, tecnologia e melhoramento genético, e esse avanço coloca o produtor brasileiro entre os protagonistas das soluções para o campo.
Desde a COP26, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir em 30% suas emissões de metano até 2030, e o setor pecuário abraçou esse desafio com seriedade. Em vez de recuar, o produtor brasileiro tem investido em eficiência para entregar mais carne com menos impacto, transformando o rebanho em uma ferramenta de redução de emissões.
Boa parte desse esforço passa por um ponto central, que é a forma como o boi digere o alimento. Por isso, entender a relação entre genética e emissão de metano ajuda o pecuarista a enxergar oportunidades concretas de melhorar resultados e, ao mesmo tempo, fortalecer a sustentabilidade da atividade.
Nesta matéria, você vai entender como a escolha genética do rebanho pode ser uma das ferramentas mais eficientes para reduzir o metano na pecuária. Boa leitura!
O que é o metano da digestão do boi e por que ele entra no debate do clima?
O metano é um gás liberado naturalmente, por meio da fisiologia de digestão dos bovinos, eliminado principalmente pela eructação. Quanto melhor o animal aproveita o alimento, menos metano ele produz.
Todo ruminante depende de microrganismos no trato gastrointestinal para quebrar a fibra do capim. Durante esse processo, parte da energia do alimento se converte em metano em vez de ir para o crescimento do animal. É um fenômeno natural, mas que tem peso ambiental relevante.
O metano aquece o planeta com mais intensidade do que o gás carbônico, o que explica por que ele ganha tanto destaque nas discussões sobre o clima. E aqui está a boa notícia para a pecuária: quanto mais eficiente o animal, menos metano ele produz. Eficiência e meio ambiente, nesse caso, caminham na mesma direção.
Vale lembrar, ainda, que boa parte desse carbono não se acumula na atmosfera, pois retorna ao ambiente e é reabsorvido pelas pastagens durante a fotossíntese, formando um ciclo natural. Isso ajuda a entender por que a pecuária bem manejada faz parte do equilíbrio, e não do problema.
A relação entre genética e emissão de metano começa na digestão: animais que aproveitam melhor o alimento produzem menos metano.
Por que a genética é a melhor aliada para reduzir o metano?
Existem três caminhos para reduzir as emissões na pecuária: a alimentação com aditivos, o bom manejo das pastagens e o melhoramento genético. Todos são úteis e se complementam, mas funcionam de maneiras diferentes.
A seleção genética permite multiplicar animais que aproveitam melhor o alimento, ganham peso mais rápido, e reproduzem mais cedo, diminuindo e otimizando o ciclo de produção, o que reduz o metano por arroba produzida.
A alimentação e o manejo trazem resultados rápidos, porém precisam ser mantidos o tempo todo. Desse modo, o ganho desaparece assim que o aditivo deixa de ser usado ou a pastagem perde qualidade.
A genética, por outro lado, muda o próprio rebanho de forma permanente, passando a vantagem de pai para filho a cada nova geração. Tanto que a Embrapa estima que o melhoramento genético pode reduzir entre 30% e 40% das emissões de metano, enquanto a nutrição e o manejo, somados, contribuem com outros 30%.
Há ainda uma vantagem prática: um único touro ou uma única doadora selecionados podem produzir muitos descendentes mais eficientes, sobretudo com o apoio das biotecnologias da reprodução, o que torna a relação entre melhoramento genético e Eficiência Alimentar uma das estratégias mais promissoras em larga escala.
Segundo a Embrapa, o melhoramento genético tem potencial para reduzir entre 30% e 40% das emissões de metano da pecuária.
A ligação entre Eficiência Alimentar e emissão de metano
Para entender por que a genética influencia tanto o metano, basta olhar para a Eficiência Alimentar. Um animal eficiente come menos para ganhar o mesmo peso, e comer menos significa, na prática, menos alimento sendo fermentado no trato gastrointestinal.
Animais mais eficientes emitem menos metano?
Sim. Animais mais eficientes comem menos para o mesmo desempenho e ficam prontos mais cedo, o que reduz tanto o gás produzido por dia quanto o total emitido ao longo da vida.
Como o metano nasce justamente da fermentação entérica, a conta fica simples, pois menos comida fermentada resulta em menos gás. Assim, ao escolher animais eficientes, o pecuarista reduz a emissão sem precisar produzir menos.
Existe ainda um segundo ganho importante, já que o animal eficiente também fica pronto para o abate mais cedo. Com isso, ele vive menos tempo emitindo metano, o que diminui o total de gás produzido para cada quilo de carne.
As pesquisas confirmam esse raciocínio ao mostrar que os animais mais eficientes gastam menos energia de mantença e perdem menos energia na forma de metano. É por esse motivo que a Eficiência Alimentar funciona como a ponte que liga genética e emissão de metano.
A Eficiência Alimentar é a ponte entre genética e emissão de metano: menos consumo e abate mais cedo significam menos gás por quilo de carne.
O CAR: uma forma simples de escolher o animal certo
Dentro da Eficiência Alimentar, existe uma medida muito útil chamada Consumo Alimentar Residual, conhecida pela sigla CAR. Ela compara quanto o animal realmente comeu com quanto ele deveria comer para o peso e o ganho de peso que apresentou.
O que é CAR negativo em bovinos?
O CAR negativo acontece quando o animal come menos do que o esperado para o seu peso e ganho, sinal de que ele é mais eficiente e, por isso, produz menos metano.
Esse é o perfil ideal: um boi que rende bem consumindo menos alimento, economizando dinheiro e reduzindo o impacto ambiental ao mesmo tempo.
A boa notícia é que essa característica é transmitida dos pais para os filhos, ou seja, dá para selecionar e melhorar ao longo das gerações. Estudos mostram que o CAR responde bem à seleção e gera ganhos consistentes para o rebanho.
Mais do que isso, estudos com a raça Nelore mostram que os animais classificados como CAR negativo emitem menos metano por quilo de peso, o que indica menor emissão por quilo de carcaça produzida. Os animais mais eficientes, portanto, não só consomem menos, como também emitem menos metano para gerar a mesma quantidade de carne.
O CAR seleciona animais que comem menos sem perder desempenho, unindo economia de ração e redução de metano em uma única característica.
O que é bom para o bolso do produtor é bom para o meio ambiente
Nesse cenário, os machos e fêmeas bem avaliados em provas de eficiência ganham um valor ainda maior, pois ajudam a espalhar uma genética melhor por muitos rebanhos.
Esse avanço também conversa com o que o mercado passou a exigir, uma vez que rastreabilidade e sustentabilidade vêm se tornando passaporte para os melhores compradores. O papel da pecuária na COP30 reforça que produzir com responsabilidade deixou de ser apenas um diferencial e virou uma forma concreta de competir e de valorizar o produto.
No fim das contas, a pecuária que produz mais por animal e emite menos metano por arroba mostra que rentabilidade e cuidado ambiental podem andar lado a lado. Assim, investir na relação entre genética para Eficiência Alimentar e emissão de metano é, portanto, investir no futuro do negócio e, ao mesmo tempo, adotar práticas sustentáveis.
Dê o próximo passo na eficiência do seu rebanho
Entender a relação entre genética e emissão de metano é o primeiro passo. O segundo é ter a tecnologia certa para medir, selecionar e evoluir o rebanho com base em dados confiáveis.
O Intergado Efficiency é a tecnologia da Ponta para provas de Eficiência Alimentar. Ele monitora individualmente o consumo de alimento e água, o peso e o comportamento de cada animal ao longo da prova, gerando os dados que tornam possível identificar os mais eficientes e, consequentemente, os que menos emitem metano por quilo de carne produzido.
Com o apoio dessa tecnologia, criadores e programas de melhoramento genético têm em mãos o padrão ouro de mensuração para provas intrarrebanho ou em centrais de avaliação. É a base que a seleção genética exige para ser precisa, repetível e confiável.
Conheça o Intergado Efficiency e veja como ele pode transformar a eficiência do seu programa genético.
[

FAQ | Perguntas frequentes sobre genética e emissão de metano
Qual a relação entre genética e emissão de metano em bovinos?
A genética permite buscar animais eficientes que aproveitam melhor o alimento e ficam prontos mais cedo, o que reduz a quantidade de metano produzida para cada quilo de carne e ainda transmite essa vantagem para as próximas gerações.
Como a seleção pelo CAR ajuda a reduzir o metano?
Ao escolher animais com CAR negativo, o produtor seleciona bois que comem menos sem perder desempenho, e comer menos significa menos fermentação no trato gastrointestinal e, portanto, menos metano.
Qual o potencial da genética para reduzir o metano?
Segundo a Embrapa, o melhoramento genético pode reduzir entre 30% e 40% das emissões de metano, e somado à boa nutrição e ao manejo de pastagens esse potencial é ainda maior.
Qual o papel da pecuária na redução das emissões de metano?
A pecuária tem papel ativo na solução, pois vem adotando genética, nutrição e manejo que reduzem as emissões e, ao mesmo tempo, aumentam a produção de alimento de forma sustentável.
Referências consultadas
Embrapa. Uso de tecnologias na pecuária contribui para reduzir metano e diminuir impacto no clima. Embrapa Pecuária Sudeste. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/68942331/uso-de-tecnologias-na-pecuaria-contribui-para-reduzir-metano-e-diminuir-impacto-no-clima
Embrapa. Nova metodologia mede emissão de metano em reprodutores bovinos. Embrapa Pecuária Sul. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/73172252/nova-metodologia-mede-emissao-de-metano-em-reprodutores-bovinos
Portal DBO. Resultados de pesquisa demonstram redução de metano em bovinos de corte (estudo Minerva Foods, Rumin8 e ESALQ/USP). Disponível em: https://portaldbo.com.br/resultados-de-pesquisa-demonstram-reducao-de-metano-em-bovinos-de-corte/
FERNANDES et al. Phenotypic association among performance, feed efficiency and methane emission traits in Nellore cattle. PLoS ONE. Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0257964
Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O consumo alimentar residual como ferramenta de seleção para eficiência alimentar em bovinos de corte. Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias. Disponível em: https://ppgcv.fmvz.ufu.br/defesas/o-consumo-alimentar-residual-como-ferramenta-de-selecao-para-eficiencia-alimentar-em-bovinos
BeefPoint. Consumo alimentar residual: um novo parâmetro para avaliar a eficiência alimentar de bovinos de corte. Disponível em: https://beefpoint.com.br/consumo-alimentar-residual-um-novo-parametro-para-avaliar-a-eficiencia-alimentar-de-bovinos-de-corte-21551/
BeefPoint. Pesquisas buscam reduzir emissões na pecuária sem perda de produtividade. Disponível em: https://beefpoint.com.br/pesquisas-buscam-reduzir-emissoes-na-pecuaria-sem-perda-de-produtividade/
Agência FAPESP. Pesquisa avalia emissão de metano por bovinos (Instituto de Zootecnia e Unesp Jaboticabal). Disponível em: https://agencia.fapesp.br/pesquisa-avalia-emissao-de-metano-por-bovinos/20673
Canal Rural. Embrapa faz estudo para mensurar emissão de metano dos bovinos. Planeta Campo. Disponível em: https://planetacampo.canalrural.com.br/pecuaria/embrapa-faz-estudo-para-mensurar-emissao-de-metano-dos-bovinos/
