Custo alimentar de confinamentos cai no Centro-Oeste e sobe no Sudeste
Apesar do gasto pouco maior, a produção no Sudeste aumentou, garantindo aos pecuaristas da região lucratividade maior que no Centro-Oeste
O custo da alimentação de gado bovino em confinamentos do Centro-Oeste caiu 9,38% em agosto em relação a julho, para R$ 11,89 por cabeça por dia, enquanto no Sudeste aumentou 0,52%, para R$ 11,54 por cabeça, aponta levantamento mensal da empresa Ponta, baseado no Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP). Apesar do custo pouco maior, a produção no Sudeste aumentou, garantindo aos pecuaristas da região lucratividade maior que no Centro-Oeste, onde produção e lucro caíram.
Na comparação com agosto de 2025, o custo alimentar do Centro-Oeste no mês passado foi 15,91% menor. No Sudeste, o custo alimentar de agosto ficou 7,9% abaixo de um ano antes, conforme o levantamento.
O ICAP é calculado a partir de dados coletados pela tecnologia de gestão de confinamento da Ponta, que gerencia mais de 57% do rebanho confinado do Brasil. A Ponta atua com tecnologias e sistemas de gestão de confinamentos e rebanhos a pasto, de genética, pesquisa e rastreabilidade.
A análise feita pela empresa mostra que no Centro-Oeste, apesar da redução do custo alimentar de um mês para o outro, o custo total da arroba produzida aumentou 11,07%, para R$ 200,61, em virtude do maior tempo que os animais passaram no cocho, 107 dias em relação a 99 dias, e da redução da produção, de 8,08 para 7,81 arrobas por animal. Assim, a lucratividade dos confinadores da região diminuiu 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça.
Quando observado isoladamente o custo alimentar dos confinamentos do Centro-Oeste, a Ponta identificou que a queda foi puxada principalmente pela dieta de terminação, que diminuiu 8,45%, para R$ 1.022,62 por tonelada. Tal dieta inclui alimentos proteicos, que ficaram 24,85% mais baratos, e o DDG, que atingiu o menor preço do ano. Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste. Lá, o custo foi de R$ 1.046,27 tonelada.
No Sudeste, mesmo com os animais ficando em média três dias a mais no cocho, a produção aumentou, de 7,59 arrobas por animal em julho para 7,92 em agosto, o que ajudou a preservar os lucros, segundo o levantamento. Ainda que o custo alimentar tenha aumentado levemente na região, elevando em 0,52% o custo da arroba para R$ 194,05, a maior produção garantiu um lucro de R$ 1.163,88 por cabeça, alta de 1,59%.
Na comparação com a média do trimestre de maio a julho, o custo alimentar no Sudeste em agosto foi 5,04% menor. A queda reflete principamente o custo 12,53% menor dos volumosos, com o avanço do bagaço de cana no mix das dietas durante a safra canavieira.
“Agosto traz uma leitura importante para a gestão do confinamento: reduzir o custo alimentar é fundamental, mas o resultado econômico depende também da eficiência com que o animal transforma tempo e recursos em arrobas produzidas”, afirmou a empresa no comunicado.
A Ponta também identificou que a “forte” queda do Icap no Centro-Oeste melhorou a relação de troca entre o custo alimentar e o preço do boi gordo. O valor de uma arroba, que antes pagava 24,5 dias de alimentação, passou a pagar 27,46 dias, segunda melhor marca de toda a série da região, conforme a empresa.
No Sudeste, a relação de troca chegou a 29,55 dias de alimentação, marca próxima do recorde de 29,97 dias registrada em julho.
Matéria originalmente publicando pelo Globo Rural.
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