Mercado da carne: como Ozempic e nova pirâmide alimentar criam oportunidades
Arroz, farinhas e macarrão estão perdendo espaço no mercado brasileiro. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) e dados da Safras & Mercado divulgados em 2025, o consumo de arroz registrou queda inédita, com preços despencando para o menor nível real em mais de uma década. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, o governo Trump divulgou em janeiro de 2026 uma revisão radical nas Diretrizes Dietéticas Americanas 2025-2030: a pirâmide alimentar foi literalmente invertida, ou seja, alimentos in natura, especialmente as proteínas, se tornaram a base da alimentação recomendada.
Coincidência? Não. Segundo Marcos Molina, controlador da MBRF (dona da Sadia), em depoimento ao Money Times, “os supermercados nos relataram uma queda na procura por carboidratos, e que o único item que tem sustentado o consumo é a proteína”. Essa transformação está sendo impulsionada pela explosão no uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, que registraram crescimento de mais de 600% nas vendas entre 2018 e 2024 no Brasil, segundo dados da IQVIA.
Para quem atua no mercado da carne, essa mudança no consumo de proteína representa uma janela de oportunidade sem precedentes. Mas há um detalhe fundamental: apenas quem entrega proteína de qualidade vai conseguir capturar esse valor, pois, tanto o mercado da carne brasileiro quanto o externo, não querem apenas mais volume: querem qualidade superior.
Quando a farmácia muda o supermercado: o “Fenômeno Ozempic”
O crescimento explosivo das canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy mudou completamente o jogo do varejo alimentício global, e o Brasil não ficou de fora.
Segundo dados da IQVIA, a venda de medicamentos à base de GLP-1 aumentou mais de 600% entre 2018 e 2024 no país. A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, registrou receita de R$ 3,7 bilhões no mercado brasileiro em 2025, com crescimento de 52% sobre o ano anterior.
Mas o impacto dessas mudanças no mercado da carne vai muito além dos números farmacêuticos. De fato, um estudo da Universidade de Cornell, revelou que famílias com pelo menos um usuário de GLP-1 reduziram gastos em supermercados em aproximadamente 6% nos primeiros seis meses de uso.
Essa queda é ainda mais pronunciada em categorias específicas: salgadinhos, por exemplo, tiveram redução de 11% nas compras, enquanto doces e sorvetes foram diminuídos ou eliminados por mais de 60% dos usuários, segundo levantamento da Morgan Stanley.
No Brasil, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) confirmou a tendência em reuniões setoriais realizadas no final de 2025. Marcos Molina, da MBRF, relatou em novembro: “Os supermercados nos relataram uma queda na procura por carboidratos, e que o único item que tem sustentado o consumo é a proteína. As pessoas começaram a utilizar mais canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro.”
A mudança no comportamento do consumidor é clara: menos volume no prato, mais atenção à qualidade nutricional. De acordo com dados do Instituto Foodservice Brasil, 65% dos usuários de GLP-1 priorizam proteínas na alimentação, e 51% substituem refeições por shakes ou smoothies ricos em proteína. Para o mercado da carne, isso significa uma coisa: mais espaço e mais valor para proteína de qualidade.
O que mudou nas recomendações nutricionais (e por que isso importa para o mercado da carne)
Em janeiro de 2026, o governo Trump divulgou as Diretrizes Dietéticas Americanas 2025-2030, marcando a maior mudança nas recomendações nutricionais oficiais dos EUA em décadas.
Sob liderança do Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., as novas diretrizes adotaram o lema “Eat Real Food” (Coma Comida de Verdade) e literalmente inverteram a pirâmide alimentar, e isso tem impacto direto no mercado da carne global.
As principais mudanças incluem:
Aumento substancial na recomendação de proteínas: A diretriz anterior recomendava 0,8g de proteína por kg de peso corporal. Agora, a recomendação saltou para 1,2 a 1,6g/kg/dia – praticamente o dobro. Para uma pessoa de 68kg, isso significa passar de 54g para 81-109g de proteína diária. As diretrizes enfatizam consumo de proteína “em todas as refeições”, com destaque para fontes animais de alta qualidade.
Redução drástica de carboidratos refinados: Pães brancos, massas refinadas, arroz branco e produtos ultraprocessados perderam protagonismo. A nova pirâmide reduz a recomendação desses alimentos, invertendo completamente a lógica anterior que os colocava como fundamento da alimentação.
Foco em alimentos integrais e minimamente processados: As diretrizes adotam postura mais dura contra ultraprocessados, recomendando evitar “alimentos embalados, preparados, prontos para consumo ou outros alimentos salgados ou doces”. Essa abordagem se alinha ao movimento global contra alimentos industrializados.
Por que isso atravessa fronteiras e impacta o mercado da carne brasileiro? A história mostra que tendências nutricionais americanas influenciam políticas públicas e comportamento de consumo globalmente em um prazo de 2 a 5 anos. Já em novembro de 2025, Marcos Molina relatava aos investidores em Nova York que “grandes fundos globais devem redirecionar investimentos do segmento de snacks para o de proteínas. É um movimento que já ocorre nos EUA.”
Com menos espaço no prato para arroz e macarrão, sobra naturalmente mais espaço para carne. Mas – e esse “mas” é fundamental para o mercado da carne – não qualquer carne. As próprias diretrizes americanas enfatizam “proteínas de alta qualidade”, e os consumidores estão mais exigentes, mais informados e mais dispostos a pagar por origem rastreável e produção eficiente.

A nova pirâmide alimentar dos EUA. HHS e USDA
Foto: The Conversation
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A oportunidade que está na mesa
O consumidor que reduz carboidratos e aumenta proteínas na dieta não faz isso por acaso, ele está conscientemente buscando melhorar sua saúde e bem-estar. Esse mesmo consumidor quer saber: de onde vem essa proteína que estou colocando no meu prato?
A crescente demanda por transparência e origem rastreável não é tendência futura no mercado da carne – é realidade presente e urgente. Supermercados premium, aplicativos de delivery e até restaurantes especializados já destacam informações de origem como diferencial de venda. QR codes que levam à história completa do animal, selos de certificação genética e dados de eficiência alimentar estão se tornando argumentos de venda tão importantes quanto o preço por quilo.
Dessa forma, o mercado da carne premium está aquecido e disposto a pagar mais. Estudos mostram diferenciais de até 40% por proteína com história documentada. Mas ele não aceita discursos vazios. Quer dados, quer comprovação, quer rastreabilidade real que garanta segurança alimentar e qualidade comprovada.
Rastreabilidade vai muito além do básico
Muitos produtores ainda associam rastreabilidade apenas ao SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos). Mas o mercado atual exige muito mais, como por exemplo, controlar o ativo biológico, atender a múltiplos protocolos, organizar dados e eventos individuais, entre outras requisições.
A Rastreabilidade GA, é reconhecida como a solução mais recomendada pelas certificadoras para fazendas ERAS e por pecuaristas que buscam controlar seu patrimônio com mais segurança e agregar valor ao produto final.
Diferente de sistemas básicos de identificação, a Rastreabilidade GA oferece:
Gestão completa do ativo biológico:
- Controle individual por SISBOV, NCF ou chip
- Análise de data de liberação e BND com verificação automática na saída
- Histórico completo de vida do animal desde antes mesmo de chegar à fazenda
- Registro de categoria, idade, evolução de ERAS para balanço patrimonial preciso
Atendimento a protocolos exigentes:
- Documentação automática para SISBOV e protocolo China
- Registro na Base Nacional de Dados (BND) alinhado ao novo Plano Nacional de Rastreabilidade Bovina (PNIB)
- Conformidade com requisitos de certificadoras e mercados premium
- Suporte para bonificações em programas como Cota Hilton/Boi Europa
Operação segura e auditável:
- Gestão de qualidade recomendada pelo mercado
- Comunicação integrada com documentações de entrada e saída
- Operação conforme normativas atuais dos órgãos reguladores
- Organização de processos com auditoria completa
Integração com gestão produtiva:
- Integra-se ao Ecossistema GA, solução que conecta rastreabilidade com gestão de reprodução, cria, recria e engorda
- Sincroniza dados para relatórios e análises consolidadas
- Permite visão 360º do negócio com controle de múltiplas fazendas
A hora de aproveitar a virada do mercado é agora
Quando a rastreabilidade é feita de verdade, o efeito aparece no bolso. Produtores que operam com sistemas robustos, como a Rastreabilidade GA, deixam de disputar preço e passam a disputar mercado.
É isso que abre portas para destinos mais exigentes, como China, União Europeia e Cota Hilton, que só compram de quem consegue provar origem, histórico e conformidade. Também é o que sustenta as bonificações pagas pelos frigoríficos: animal rastreado, com informação confiável, vale mais.
No dia a dia, o ganho não é só comercial. A automatização da documentação reduz erros, retrabalho e custo operacional. O controle do ativo biológico fica mais preciso, trazendo mais segurança para a gestão financeira e para quem investe na operação.
No fim, a rastreabilidade é o que tira a eficiência do discurso e coloca no contrato. Quando a informação existe, é confiável e está organizada, o produtor deixa de vender no preço médio. Passa a acessar mercados mais exigentes, sustenta bonificações e ganha previsibilidade na gestão do próprio negócio.
Num cenário em que “proteína de qualidade” virou discurso comum, o diferencial real está nos dados e, quem comprova, vende melhor.
Se você quer entender como a rastreabilidade pode valorizar sua produção e preparar sua operação para esse novo consumidor, conheça a Rastreabilidade GA e veja como dados consistentes viram diferencial competitivo na carne.

