O que a bovinocultura pode aprender com a avicultura?

Na avicultura brasileira, a equação está resolvida: segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), aproximadamente 1,7 kg de ração produzem 1 kg de carne. Esse número não é acaso, é resultado de décadas de trabalho científico. A conversão alimentar na produção de frangos de corte melhorou consistentemente ao longo das últimas décadas, representando economia significativa de insumos. 

Mas o que impressiona não é apenas o número atual. É a trajetória. Conforme documentado por Schmidt e Figueiredo (2005) em estudos sobre melhoramento genético de aves no Brasil, nos anos 1970, o frango terminado pesava cerca de 1,8 kg aos 56 dias de idade.  

Hoje, em aproximadamente 42 dias, atinge peso superior a 3 kg com conversão alimentar mais eficiente. A evolução foi drástica: de um patamar de mais de 2,0 kg de ração para cada kg de carne produzido, para índices próximos a 1,7 kg. 

E aqui está o dado que mais importa para a bovinocultura: segundo Barbosa et al. (2020), o melhoramento genético foi responsável por 85 a 90% dos ganhos de eficiência produtiva na avicultura nas últimas décadas. Apenas 10 a 15% desses avanços se devem a melhorias na nutrição e outros fatores como manejo e equipamentos. 

Na bovinocultura de corte, a alimentação responde por até 90% dos custos de produção, mas durante muito tempo faltaram ferramentas para enxergar a eficiência de cada animal. O resultado? Decisões no escuro e desperdício silencioso que corrói a margem. 

Porém, isso está mudando. A medição individual de consumo e desempenho passa pelos centros de pesquisa e entra na rotina das fazendas de modo cada vez mais acelerado. E quando o dado chega, tudo muda: a seleção fica mais assertiva, o desperdício cai e a bovinocultura finalmente percorre o mesmo caminho que revolucionou a avicultura. Entenda mais a seguir! 

Como a avicultura consolidou a Eficiência Alimentar 

Segundo dados da ABPA, a conversão alimentar na avicultura brasileira apresentou evolução consistente nas últimas duas décadas. Para contextualizar essa trajetória: em 2000, a conversão alimentar média estava em torno de 2,0 kg de ração por kg de carne produzida.  

Em 2010, esse índice havia melhorado para aproximadamente 1,85 kg. Atualmente, a avicultura brasileira opera com conversão alimentar próxima a 1,7 kg, o que representa uma redução de cerca de 15% em relação ao início dos anos 2000. 

O diferencial? Na avicultura, Eficiência Alimentar não é novidade, é obrigatoriedade operacional. 

Cinco pilares sustentam esse sucesso: 

  • Genética avançada: linhagens selecionadas por gerações para melhor conversão alimentar, responsáveis por até 90% dos ganhos de eficiência, conforme demonstrado por Barbosa et al. (2020). 
  • Nutrição de precisão: formulações ajustadas que reduzem desperdício e excreção de nutrientes. 
  • Tecnologia enzimática: conforme descrito por Bedford e Partridge (2010), o uso disseminado de enzimas como fitase em rações comerciais melhora digestibilidade e aproveitamento de nutrientes. 
  • Monitoramento constante: Índice de Eficiência Produtiva (IEP) medido lote a lote. 
  • Controle ambiental: temperatura e ventilação otimizadas para máximo desempenho. 

Quatro lições práticas para a bovinocultura 

1. Transformar medição em cultura operacional 

Na avicultura, eficiência alimentar é medida rotineiramente. Na bovinocultura, ainda se limita a projetos pontuais. A Eficiência Alimentar precisa deixar de ser “projeto especial” e se tornar métrica padrão na bovinocultura. Quanto mais dados, mais rápido o melhoramento genético. 

2. Aplicar nutrição de precisão 

Segundo Bedford e Partridge (2010), a avicultura usa enzimas exógenas (fitase, xilanase, protease, amilase) para maximizar digestibilidade. O resultado é melhor conversão alimentar e menor excreção de nutrientes. 

Na bovinocultura, o equivalente passa por ionóforos como monensina e lasalocida, que melhoram a eficiência ruminal, aditivos como leveduras vivas e probióticos que otimizam a fermentação, óleos essenciais que modulam a microbiota ruminal e taninos que reduzem perdas proteicas. A diferença está em aplicar esses recursos de forma estratégica, ajustada ao perfil de cada lote, não apenas seguir protocolos genéricos. 

3. Priorizar genética de alta performance 

Embora o ciclo reprodutivo bovino seja mais longo, tecnologias genômicas estão acelerando o melhoramento na bovinocultura. A chave está em intensificar avaliações genéticas e criar bancos de dados robustos com informações fenotípicas de qualidade, exatamente o que as provas de Eficiência Alimentar proporcionam. 

4. Democratizar o acesso à tecnologia 

A avicultura usa sistemas automatizados para monitorar consumo e desempenho continuamente. Na bovinocultura, essa mesma precisão era restrita a centros de pesquisa e grandes operações. Hoje, cochos eletrônicos e balanças automatizadas tornaram viável realizar provas de eficiência na própria fazenda, independente do porte da operação. 

Os benefícios mensuráveis da Eficiência Alimentar na bovinocultura 

  • Impacto econômico: redução significativa nos custos com alimentação, aumento da margem por arroba e valorização de animais geneticamente eficientes. Para rebanhos de seleção, em que animais permanecem anos como reprodutores, identificar indivíduos que comem menos sem perder desempenho gera economia direta ao longo de toda a vida produtiva do animal e transmite essa característica para as próximas gerações. 
  • Sustentabilidade ambiental: menor emissão de metano por kg de carne, redução da pressão sobre recursos naturais (água, pastagens, grãos) e menor volume de dejetos por unidade produzida. 
  • Competitividade: bovinocultura mais competitiva globalmente, atendimento a exigências ambientais internacionais e posicionamento premium para carne sustentável. 

Provas de Eficiência Alimentar: o caminho para a transformação da bovinocultura 

As Provas de Eficiência Alimentar identificam animais com CAR (Consumo Alimentar Residual) negativo, ou seja, que comem menos que o esperado, sem comprometer desempenho. Esses dados permitem selecionar reprodutores de alto impacto econômico, gerar informações para programas de melhoramento genético e fortalecer acurácias das avaliações. 

O grande insight da avicultura é que eficiência é pré-requisito, não diferencial. Com tecnologia acessível, produtores de bovinocultura de diferentes portes podem realizar provas intrarebanho na própria propriedade, obtendo retorno do investimento através de seleção assertiva e valorização da genética produzida na fazenda. 

Leia também: Eficiência Alimentar: Como produzir mais com menos 

Intergado Efficiency: a tecnologia que torna isso possível na bovinocultura 

Trazer esse nível de precisão para dentro da fazenda é exatamente o que o Intergado Efficiency, da Ponta, proporciona para a bovinocultura. A solução integra cochos eletrônicos, balanças de pesagem voluntária e software avançado para monitoramento individual e automatizado. 

Principais diferenciais: 
  • Dashboard em tempo real com todas as métricas da prova 
  • Robô MAX: cálculo diário automático de CAR, Ganho Residual e Conversão Alimentar, com alertas inteligentes 
  • Identificação precoce de animais clínicos e subclínicos, reduzindo perdas 
  • Cálculo de instabilidade que determina o momento ideal para encerrar a prova 
  • Integração com programas de melhoramento genético (Embrapa Geneplus, ANCP, PMGZ, Qualitas) para envio dos dados 

Os resultados são concretos: identificação precisa de animais eficientes, base de dados confiável para seleção de reprodutores e matrizes, fortalecimento das DEPs e relatórios completos. 

Para o produtor, isso significa valorização do rebanho, economia na mantença e provas realizadas na própria fazenda com assessoria técnica especializada. 

Medição, seleção e melhoramento na bovinocultura 

A avicultura provou que transformar Eficiência Alimentar em cultura consolidada não apenas é possível, é altamente lucrativo e sustentável. A bovinocultura está em seu momento de virada. As ferramentas existem, a tecnologia está acessível e o retorno é comprovado. 

As lições são claras: medição constante se torna cultura, nutrição de precisão maximiza cada grama de alimento, genética superior se constrói com dados de qualidade e tecnologia democratiza o acesso para todos os portes de produção. 

Com o Intergado Efficiency, provas de Eficiência Alimentar tornam-se investimentos estratégicos com retorno mensurável para a bovinocultura. A transformação começa com medição precisa, continua com seleção assertiva e se consolida com melhoramento

genético contínuo. 

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CONTATO PONTA

Referências 

ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal. Relatório Anual 2024. Disponível em: https://abpa-br.org 

Barbosa, L. et al. Genetic improvement and feeding efficiency in poultry production: historical perspective and future challenges. Brazilian Journal of Poultry Science, 2020. 

Bedford, M.R.; Partridge, G.G. Enzymes in Farm Animal Nutrition. 2nd ed. CABI Publishing, 2010. 

Schmidt, G.S.; Figueiredo, E.A.P. Melhoramento genético de aves no Brasil. Avicultura Industrial, 2005. 

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